Invisíveis

Os “invisíveis” só se tornam visíveis quando fotografados. Lembro que observando, em papel, algumas fotos que fiz de moradores de rua, fiquei espantado com a situação de abandono e a quantidade de pessoas que passavam ao lado, todas desconhecendo a existência destas mesmas pessoas. Elas passaram a ser denominadas por mim de “invisíveis”. Uma expressão forte e que caiu (que bom que isso aconteceu) no gosto de alguns jornalistas e fotógrafos. Não sou dono das palavras. Elas são do mundo. Não é preciso um pedido de licença para o uso das palavras. São fortes quando traduzem uma atitude libertária. Caso contrário são cópias, sem força.

“Mesmo se deve partilhar esse geografia monstruosa com os cães errantes, os ratos esfomeados e as dejeções animais ou latas de lixo viradas, o maldito mostra uma excepcional vitalidade, uma coragem inominável e uma força que me é difícil imaginar naqueles a quem eles devem tal condição: os guardas das galés do capitalismo arrebatado.”

— Michel Onfray